(Beda #3) A Lingerie ao longo do século

3.8.16

       Ano passado eu tive uma disciplina chamada Projeto de Moda I. Nela deveríamos fazer um trabalho acadêmico de pesquisa sobre qualquer tema que achássemos interessante. O tema que escolhi era a lingerie enquanto símbolo de sensualidade e desejo. Mas, para isso, deveria buscar em diversas fontes a história da mesma, para descobrir a partir de quando ela passou a assumir o papel que conhecemos hoje em dia. E eu achei o assunto tão interessante, que resolvi trazer para o blog e compartilhar com vocês. Até porque eu adoro saber um pouquinho da história daquilo que uso, vocês não?



Antiguidade - pedras preciosas e busto à mostra




Imagens: Apodesme | Deusa das Serpentes

       Antigamente as roupas de baixo eram conhecidas como Loinclothes e eram basicamente longas faixas de tecido. Algumas, inclusive, eram feitas de couro. Por falar nisso, as mulheres do Egito Antigo não tinham o costume de usar roupas por baixo de seus véus e túnicas, mas aquelas que pertenciam às classes mais baixas (como prostitutas, dançarinas e escravas) já usavam as primeiras versões daquilo que hoje conhecemos como fio dental.


     Já em Creta, acredita-se que as roupas utilizadas nessa região foram as precursoras para a moda íntima que conhecemos hoje em dia. E com base no que? Em uma estátua da Deusa Cobra de 2.000 a 1.700 a.c, onde ela aparece usando os primeiros modelos de corsets e crinolina, para enfatizar o busto e o quadril, simbolizando a fertilidade.


     Na Grécia e em Roma as mulheres usavam e abusavam das faixas na região do busto e do quadril (para conter os pneuzinhos, quem nunca?).  Isso porque naquela época  a perfeição corporal era admirada pela sociedade. Além das faixas, as romanas também usavam cintas ligas bordadas com pedras preciosas para atrair a atenção dos homens.



Idade Média e Moderna - Cintos de castidade e corpetes


Imagem: Farthingale

      Na Idade Média a calcinha foi abandonada, porque acreditavam que a falta de arejamento nas partes íntimas era prejudicial à saúde. Porém, foi nessa época que adotaram os corpetes para achatar o busto. Também foram criados os cintos de castidade para manter a integridade e a castidade das mulheres. Os tais cintos foram usados até o renascimento. Além disso, tanto mulheres quanto homens deveriam usar longas camisolas para proteger suas roupas finas e ornamentadas do seu corpo (já que eram pouco higiênicos).


      Já no renascimento surgem as anquinhas, para dar movimento e mais volume ainda (!) nas saias e vestidos. Além disso, as roupas íntimas eram utilizadas apenas por nobres e burguesas. Quanto aos espartilhos (que até então eram rígidos), foi só no fim do século XVIII que se tornaram mais flexíveis e passaram a levantar os seios.  E após 1790, as roupas das mulheres foram simplificadas e passaram a ser usados vestidos império, o que exigia um novo tipo de roupa íntima: a calcinha.



Século XIX - calções, espartilhos apertadíssimos e desmaios




Imagem: Cintura Vespa

Mas não a calcinha que conhecemos hoje em dia. Na verdade estava mais para calção. O qual ia até abaixo do joelho ou até o tornozelo e era usado por mulheres ousadas e vanguardistas. Os espartilhos por sua vez eram cada vez mais apertados para adequar as mulheres à silhueta da época (com cintura finíssima) e as mulheres frequentemente desmaiavam.


       Já na virada para o século XX as calçolas passam a ser mais elaboradas, como muita renda e babados.



Século XX - Fim do espartilho, sutiã, androginia e Madona.



Imagem: Visual Andrógino

        Os calções só diminuem de tamanho após 1918, com o fim da Primeira Guerra, e os espartilhos entram em desuso com o início da mesma, já que as mulheres precisavam trabalhar em campos e fábricas. Mas como os seios ainda precisavam de sustento, surge o sutiã, o qual foi inventando um ano antes de eclodir a guerra.


        Nos anos 20 começaram a ser usadas cintas ligas para segurar as meias 7/8. Nos anos 50 os sutiãs ganham enchimento para aproximar as mulheres das musas do cinema. E na década de 60 a calcinha diminui de tamanho para se adequar à minissaia.


        E nos anos 80 a Madona ajuda a colocar os espartilhos em alta, como símbolo de fetiche. Esse novo modelo é mais flexível e confortável e, tendo Madona como exemplo, as lingeries viram formas de expressão e passam a fazer parte da moda.


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        Depois desse textão, que deve ter deixado vocês cansadas, vou deixar algumas fotos da parte dois daquele trabalhinho que falei lá no comecinho do post. Porque após ter feito toda a pesquisa, deveríamos desenvolver um scketchbook, onde a gente deveria colocar painel de inspirações, estilo de vida do consumidor na nossa marca fictícia, painel dos sentidos, cartela de tecidos, etc.


        Também deveríamos desenvolver de acordo com o assunto escolhido, mas como o meu trabalho era muito amplo, escolhi a Lingerie na Idade Média como tema. Já vou avisando que não sou muito boa com trabalhos manuais, por isso meu scketch não ficou lá esses coisas, mas se vocês quiserem ver, tá aqui:


sketch


O que vocês acharam do post? Gostariam de ver mais como esse? Não se esqueçam de deixar sua opinião, ela é muito importante para mim. Um super beijo!


Só para esclarecer o parênteses no título do post, Beda (Blog Every Day August) é um desafio proposto pelo grupo United Blogs, afim de incentivar as blogueiras a postarem diariamente.


Fontes de pesquisa:


 COSGRAVE, Bronwyn. A história da indumentária e da moda: da antiguidade aos dias atuais.

GARCIA, Claudia. Lingerie: a história das roupas de baixo femininas. Disponível em: http://almanaque.folha.uol.com.br/lingerie.htm

GARCIA, Claudia.História dos espartilhos. Disponível em: http://almanaque.folha.uol.com.br/espartilho_historia.htm

HAWTHORNE, Rosemary. Por baixo do pano: a história da calcinha.

MEDEIROS, JANAINA. Costurando para fora: a emancipação da mulher através da  lingerie.

NAZARETH, Otávio. Intimidade Revelada.

*imagem capa: pinterest | Edição It's Kimby

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