Desacelere

2.9.16

      Eu sei, sei que a estrada é longa, cansativa e a vontade é de desistir. Sei que às vezes o medo supera a vontade e que a visão do futuro uma hora ou outra cega a realidade.  Mas sei também que não vale a pena querer dar um salto maior que a perna. Tentar acelerar o ritmo da vida só para ver como fica o depois não ajuda em nada. Desacelera vai, vamos aproveitar o agora, tomar um banho de chuva e esquecer os problemas.


        Vamos fingir por um segundo que ainda somos crianças e que os únicos monstros que existem não estão nas pessoas e sim dentro do nosso guarda roupa. Eu nem lembro mais qual é a sensação dos pingos de água caindo no rosto. Não sei por que, mas a chuva sempre me passou essa impressão de limpeza da alma, vivacidade, purificação e alívio após a tempestade. Não só da tempestade lá fora, mas da que fica dentro de nós e que é tão difícil se livrar.


          Venha, vamos passear enquanto chove, cantar, rir, brincar, deixar a criança dentro de nós sair. Vamos subir no topo da árvore mais alta (eu amava fazer isso) só para ver como podemos ir longe e chegar lá em cima se soubermos escalar direito, sem pular nenhuma parte. Vamos fazer de conta, nesse minuto, que o tempo parou só para nós. Todo mundo precisa de um momento para relaxar e aproveitar. Uma vida muito séria é cansativa. Vamos rir desse temporal e perceber que até nos dias nublados há beleza.


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Inspirado em "Coisas que a gente esquece quando cresce", da Karine Rosa. 

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