Quatorze

23.9.16

      Dispenso as apresentações. A minha idade pouco importa. Afinal, porque as pessoas têm que se dar um número a cada ano que passa? Eu acordei um belo dia e descobri que estava velho, mas a minha mente ainda é jovem. Fisicamente sou tão velho quanto as estrelas lá do céu. Mas a minha cabeça pipoca com ideias loucas e minha alma é tão curiosa quanto a de uma criança.


       Repito: idade não importa. Um ano a mais ou um ano a menos, dependendo do ponto de vista, caminhamos todos para o mesmo fim. O que muda nesse mundo louco é como cada um enxerga o que está por fora. E como vive. Porque existir todos existimos, mas são poucos que realmente vivem e tem algo de bom para contar. São poucos os que valorizam as bênçãos que caem sobre nossas cabeças e sabem reconhecê-las.


       Mas se você ainda se interessa por números, há apenas um que lhe darei: quatorze. O número de cidades em que morei. O número de vezes que fui arrebatado por uma paixão devastadora pelos lugares que fiquei. O número de vezes que criei raízes e me apossei, atrevido, da cultura de cada local. O número de vezes que deixei um lar, mas levei comigo um pedacinho dele e de cada pessoa que conheci. O número de vezes que chorei por ter que partir e o número de vezes que precisei me mudar para descobrir que não pertenço a lugar nenhum. Que não possuo lugar nenhum. Que pertenço apenas a mim mesmo e ao mesmo tempo ao mundo todo.


 

*texto fictício

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