Algumas considerações sobre o início da vida adulta

by - 25.5.18

Imagem: It's Kimby

“Virar adulto é como se perder da mãe no super mercado para sempre”. Não sei o autor dessa frase de twitter, mas ela resume a minha atual situação e acredito que de muitos também. A verdade é que ainda não me considero adulta. Sinceramente, alguém realmente se considera totalmente adulto?

Tem muito da criança sonhadora em mim ainda. Aquela que olhou o mar pela primeira vez e disse “que monte de água”. A diferença é que agora eu olho para as cidades ao meu redor e penso “que monte de tudo”. Como observar o mundo abaixo de nós pela janela de um avião e todos aqueles prédios, todas as aquelas ruas, todas aquelas pessoas, todos aqueles locais, que antes pareciam ser tão grandes, quando vistos de longe são minúsculos. Porque tem um “monte” de mundo à ser explorado ainda. Muitas barreiras a serem ultrapassadas, pedacinhos de nós para serem reconstruídos e um monte de nós para se perder nas estradas desse mundo e depois encontrar.

Talvez crescer, virar, adulto, ou passar pelo início da vida adulta – como é o meu caso – seja exatamente isso. Andar sem saber ao certo o rumo. Pegar a curva errada vez ou outra. Perder o ônibus ou o trem. Se esforçar ao máximo para deixar a insegurança de lado. Os velhos medos. Os velhos receios. Esquecê-los em seja qual for o lugar que habitam dentro de nós.

É perceber que se não fizermos as coisas, ninguém fará por nós. A roupa não se lava sozinha. A comida não aparece por mágica. Encontrar os lugares certos parece mais difícil do que nunca. Ainda mais quando se está em uma cidade estranha, onde tudo é longe e lugar nenhum é familiar. Crescer é aprender a ter um pouco de peito e muita cara de pau. É respirar fundo e dizer agora vai. Agora eu vou. É manter um pouco daquela rebeldia adolescente, porque acomodação precisa passar longe quando se está sozinho.

Mas estar sozinho é diferente de se sentir sozinho. Com o passar do tempo aprendemos a apreciar a solidão, os momentos de quietudes e ficar de bem com a própria companhia. Crescer é perceber que qualquer lugar é nosso lar, porque sempre haverá uma casa dentro de nós. Um tanto daquele “monte”que falei antes.

Justamente quando nos damos conta dessa pluralidade, paramos de nos perder nas ruas, para nos perder em nós mesmos. Crescer é descobrir infinitos lados de si. Sem saber ao certo qual deles nos define enquanto pessoa. É vestir certas máscaras, conforme manda a ocasião. É, acima de tudo, se questionar. É perguntar “como eu vim parar aqui?”, “o que estou fazendo da minha vida?”, “o que aquela garota que passou a vida toda em cidade pequena foi fazer em uma cidade maior?”. A verdade é que essa garota não sabe. Ela simplesmente juntou o desejo de estudar, com os sonhos que não cabiam nem na mala que carrega e decidiu ir. Decidiu ver aquele “monte”, para perceber o quão pequena é em relação ao mundo, mas que no final das contas, somos do tamanho dos nossos sonhos. E os sonhos dela, ah, eles abraçam o mundo inteiro.

Ela colocou o receio embalado em uma caixinha, deixou para trás, e correu em direção àquilo que lhe dava medo, àquilo que assustava. Percebeu que crescer é mesmo se perder. Mas vez ou outra se perder é bom. Rir das próprias falhas e daquilo que não dá certo também.

A grande verdade, é que ninguém vira adulto de verdade. Lá no fundo, independente da idade, todo mundo quer ser aceito, amado, encontrar seu caminho e se encontrar. É como disse Lewis Carroll: “Somos só crianças crescidas, querida”.

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13 comentários

  1. Me identifiquei horrores! Realmente essa frase do início resume totalmente.

    Super beijos,
    Missmoon | BLOG & ​ATELIER - Por Neila Bahia
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    1. Oi Neila! Tão bom saber que se identificou <3
      Muito obrigada!
      Beijão <3

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  2. oooi, nossa eu adorei muito o seu texto! Me identifiquei em várias partes dele! Estou na transição para uma vida mais adulta que a faculdade exige e muitas vezes me sinto perdida pensando "eu não queria que tudo fosse assim, quero voltar a ser o que era antes". Mudar é algo tão assustador que na maioria das vezes nós chegamos a ter pensamentos bobos e passamos a valorizar eles porque eles já não fazem mais parte do nosso cotidiano.
    Adorei muuuuuuito esse texto!
    Estou seguindo seu blog para acompanhar mais deles!
    Da uma passadinha no meu <3

    umagarotanadaencantada.blogspot.com/

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    1. Oi Nathalia! Fico tão feliz em ver que gostou do texto e se identificou! Muito obrigada pelo comentário lindo e pelo carinho. Vou dar uma passadinha no seu blog siim <3
      Beijão

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  3. Olá querida Kimberly!
    Que texto/reflexão maravilhosa!
    Me identifiquei, na parte que todos queremos ser aceitos e amados! <3
    Você escreve muito bem, espero um dia conseguir escrever como você!
    Só li verdades, muito bom mesmo esse texto!

    Tenha uma semana ainda mais abençoada!
    xoxo, Pam!

    https://palomari.blogspot.com/

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  4. No fim das contas, somos somente crianças crescidas... Acho que nunca deixamos de ser crianças totalmente, ela sempre fica ali escondidinha, só esperando por uma nova descoberta, um novo desafio, para olharmos com olhos brilhantes que só uma criança consegue ter. Mas ao mesmo tempo, temos que nos habituar a fazer coisas tão simples, mas são nossa responsabilidade desde sabe-se lá quando... mas de repente elas viram nosso papel e temos que lidar com toda uma nova rotina, de adulto, que sempre queremos ser, mas no fundo, temos o maior medo de não poder dizer "quero minha mãe" de novo... rsrsrs
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

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  5. Concordo com vc e também acho que nunca nos tornamos realmente adultas, sempre vamos nos questionar e achar que nunca estamos preparados para nada. Eu mesma, com 25 anos, sinto que sou quase uma criança as vezes. O que precisamos fazer é aprender a conviver com esse sentimento, pq eu sei que ele nunca vai embora. No fundo, as vezes acho bom ter essa alma meio juvenil, me faz olhar pro mundo com um olhar muito mais otimista.
    beijos,

    Amanda
    www.amandasoldi.com

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  6. Eu vou ser é sincera aqui com você: crescer me assusta demais. Quer dizer, eu me considero bem grandinha já, até vou pagar conta e no médico sozinha haha. Mesmo um dos meus sonho ser alcançar independência e morar sozinha, às vezes bate aquele medo de como tudo pode se desdobrar daqui uns anos. De todo jeito, eu tento ter plena consciência de que é algo pelo qual todos passamos, e é necessário para o nosso crescimento :)

    Adorei o texto. Ler sobre as experiências dos outros sempre me deixa feliz! <3

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  7. Ah, Kim, vir aqui no seu cantinho é sempre uma surpresa boa. Juro! Sempre encontro textos que de certa forma me consolam por perceber que não sou a única nessa jornada maluca de fingir não ser mais criança. Quantas vezes não olhei para minha vida, para as conquistas que ao poucos alcanço e pensei "era isso mesmo? eu me orgulharia de mim?" - e, no final das contas, temos que aceitar não ter uma resposta: porque a vida é caminhar sem rumo e sem mapa, não é mesmo?
    Literalize-se

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  8. Eu tenho 32 anos e não me sinto adulta ainda. Acho que a gente nunca vai se sentir adulta verdadeiramente. Mas isso não é algo ruim, apenas mostra que ainda temos nossa criança interior.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  9. Tem o lado bom e tem o lado ruim mas nada como o tempo de vc se acostumar mas pelo que eu li o texto e pude perceber vc foi e é muito amada pela sua família, sente colo e aconchego da mãe e do lar, da sua família, mas é assim mesmo, agora é hora de caminha mas saiba eles estarão sempre ali esperando por vc te braços abertos.
    Felicidades flor

    https://keilycesporkeilaluciablog.blogspot.com/

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  10. Nusssss você lacrou com este final!!! Realmente acredito que muitos de nós temso exatamente as mesmas impressões que você. Este trecho foi o que mais gostei "Talvez crescer, virar, adulto, ou passar pelo início da vida adulta – como é o meu caso – seja exatamente isso. Andar sem saber ao certo o rumo. Pegar a curva errada vez ou outra. Perder o ônibus ou o trem. Se esforçar ao máximo para deixar a insegurança de lado. Os velhos medos. Os velhos receios. Esquecê-los em seja qual for o lugar que habitam dentro de nós." realmente me vejo assim tbm. Beijos

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  11. Kimby, kimby. Tu me fez chorar mulher, que texto mais lindo, me tocou muito. É exatamente o me sinto, me descreveu. Parabéns pelo texto e pela coragem de crescer.

    Grande beijo!
    Fany www.mundodefany.com

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