SPFW N45 - Água de Côco e 'um pouquinho de Brasil'



Já começo adiantando que a intenção desse post era ser um geral do que rolou no SPFW N45 nessa semana que passou. Mas foi só assistir ao primeiro desfile e meus planos foram por água abaixo. Isso porque há muito para ser dito além de "a cor do ano vai ser tal", "a peça da estação é x". O mundo e os valores estão em constante mudança e expansão. A moda muda com isso e a forma como falamos sobre ela, consequentemente deve mudar também. Por isso, mesmo com uma semana de atraso, falarei individualmente sobre os desfiles que mais chamaram a minha atenção e o por quê. 

Antes, preciso deixar claro que não sou crítica de moda e a minha formação enquanto estudante do curso nem me permite isso. Mas justamente como estudante de Moda ou uma pessoa apaixonada pela área, acredito que há uma série de coisas a serem ditas e acrescentadas sob meu ponto de vista e a minha perspectiva, que pode não ser necessariamente a mesma de outra pessoa que assistiu aos desfiles. 


Água de Côco abre o SPFW N45 com ninguém menos do que Anita cantando 'Isto aqui o que é'. A partir disso já é possível captar um pouco sobre o que será não apenas este desfile, como todos os que vêm a seguir. E o que vemos e escutamos é o Brasil. É o samba, é o funk, é a cultura, é a diversidade. De uma forma um tanto característica, mas de fato "É um pouquinho de Brasil", como diz a música. 

Assistam ao desfile aqui, no site do FFW. 


Este pouco de Brasil que mostram é leve e belo. Poderia dizer que todo esse clima de leveza se opõe à situação atual do nosso país, mas talvez tenha sido justamente essa a intenção. Saber enxergar a beleza, onde muitas vezes parece não haver. Talvez em meio ao caos, as pessoas busquem maneiras de encontrar um pouco daquilo que nos conecta, daquilo que acalma. Nos faz olhar para dentro, ao invés de olhar para fora.


Uma coisa que percebi morando fora, foi que quando estamos aqui, enxergamos as coisas apenas sobre o aspecto negativo, que vamos admitir, são muitos, a começar por questões políticas, econômicas, segurança, ou a falta dela, no caso. Mas justamente ao sair desse caos, percebemos quanta beleza há para ser explorada por aqui. Muita história e muita cultura. "A cara do Brasil é a miscigenação", como vi certa vez em um vídeo da aula Fundamentos da Realidade Brasileira. E isso pode ser notado nas próprias modelos do desfile. Divergindo, mesmo que pouco, em idade, corpos e cores. 


Interpretações à parte, o desfile segue com a trilha sonora misturando algumas músicas pop internacionais, ao som de Vai Malandra. A cartela de cores inicia com tons neutros, no preto, branco e cinza, passando para o verde musgo, até chegar ao laranja e amarelo. O clima no geral é de descontração e praiano. Peças de verão e trajes de banho misturam-se à calças esportivas, t-shirts, camisas e demais peças em alfaiataria. Também tem crepe, cetim e transparência. Nas estampas, poás, folhagens, listras e blocos geométricos. É possível perceber as informações de tendências de moda nas peças, seja através dos babados, nas próprias estampas, nos croppeds, nos sapatos transparentes de efeito plastificado e no mix que fazem de estilos.


Não chega a ser um Brasil inteiro representado na coleção, mas - me perdoem soar repetitiva - um pouquinho dele. Para fechar com chave de ouro o desfile, Anita aparece novamente cantando "O que é , O que é?". Os versos de 'é bonita, é bonita e é bonita' me fazem pensar que fato, é uma coleção bonita de ver, sentir, escutar e apreciar. Se até então eu achava o desfile lindo, apesar de fora de sincronia com o nossa situação, em poucos versos ele se encaixa, com uma promessa de esperança: "Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será".

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Todas as imagens foram retiradas do site FFW

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